Eadlyn Schreave uma Má Cópia de América Singer? O Que Penso dos Últimos Livros de Kiera Cass?

terça-feira, 21 de junho de 2016


Por esta altura, já todos conhecemos a história de amor de America Singer e de Maxon Schreave, juntos através de uma seleção, um programa televisivo que juntou ao acaso trinta e cinco candidatas de Ílea com o objectivo de ganharem o coração do príncipe e tornarem-se rainhas. Para minha surpresa, Kiera Cass continuou a história mas, desta vez, fê-lo através dos olhos de uma nova candidata ao trono: Eadlyn Schreave, a primogénita de America e Maxon, a primeira dos seus quatro filhos e que é obrigada a passar pela sua própria seleção como forma de entretenimento para uma Ílea quase em ruptura - novamente.
Com estes dois livros a narração mudou de forma drástica. Eadlyn ressente-se pela posição que ocupa de primeira na linhagem ao trono e a verdade é que a plot line é muito fraca e, se nos três volumes anteriores a construção do conflito foi pobre, com estes dois livros, Kiera Cass enterra-se até ao pescoço em plot holes. A autora queria uma razão para uma nova selecção mas, a justificação que lhe dá, não é suficiente para satisfazer o leitor e acaba por não fazer sentido quando analisada ao pormenor. No fundo, não há uma estrutura firme que suporte a história. Já falei nas opiniões anteriores da importância da construção de um mundo forte, mas neste caso os problemas da população e os conflitos não são mais do que um eco de fundo. Ao mesmo tempo, apercebi-me de que prefiro ler do ponto de vista de alguém que está na iminência de ser ou não escolhido. Desta vez, os encontros sucessivos, as caras novas e a qualidade do material que foi dado, não me agradou pois Eadlyn não possui o carisma da mãe.
I only have one heart, and I'm saving it.
Outro dos pontos negativos é, sem dúvida, os personagens, na maior parte dos casos, acéfalos. Para além daqueles que já conhecemos, não há uma grande profundidade nas apresentações e em alguns casos, é difícil importarmo-nos. Mesmo a personalidade da protagonista não é apelativa o suficiente. Mimada, arrogante, fria, calculista e com zero capacidades sociais, Eadlyn não conquista o coração do leitor como America que, já de si, era uma personagem frustrante. Há uma diferença entre criar uma personagem emocionalmente distante para com o mundo que a rodeia, e uma personagem desinteressante para o leitor. O problema com estes dois livros foi que a indiferença atinge o leitor e neste caso, há pouco que se possa fazer.
Mas, um dos pontos positivos é a menor quantidade de elementos previsíveis. Neste caso, uma vez que Eadlyn é quem comanda a seleção, é impossível de definir com clareza quem será o pretendente escolhido, embora seja fácil de reduzir o leque de escolhas. Também há uma leveza que não senti que existisse nos volumes anteriores e que é revelado através dos constrangimentos sociais da protagonista e da sua relação com os irmãos e respectiva família.
E, ao contrário do que aconteceu com A Escolha, aplaudo a coragem da autora no final do livro A Herdeira. Uma tragédia que fez sentido e que obriga, sem dúvida, o leitor a ler o próximo e último volume da colecção e que obriga a um desenvolvimento por parte da protagonista que vê-se a tomar a decisão de aceitar a sua condição de regente enquanto protectora do povo de Ílea e a tomar consciência do caminho solitário que está prestes a percorrer.
Maybe it's not the first kisses that are supposed to be special. Maybe it's the last ones.
A Coroa é um livro genuinamente mais interessante e mais fácil de percorrer do que A Herdeira, no entanto - e embora ache que me estou a repetir é necessário mencioná-lo - as motivações dos personagens, nomeadamente da protagonista, continua a ser um dos pontos mais fracos da escrita da autora já que no caso de Eadlyn, ao contrário do que aconteceu com America cuja motivação envolvia algum tipo de sentimento amoroso, o seu desejo está intimamente relacionado com o que se passa no mundo exterior - Ílea. E, sendo a construção do mundo extremamente pobre, só podemos concluir que as motivações vão ser em igual medida, deslavadas em conteúdo. E foi o que aconteceu. Por outro lado, foi uma conclusão um pouco amarga porque embora A Coroa possua um conteúdo melhor ou, pelo menos, mais acelerado e interessante do que A Herdeira, a forma como a autora decidiu dar o fim à história de America e de Eadlyn foi decepcionante. Não há um aviso e de um momento para o outro a história termina.
Mais uma vez, o aspecto romântico acaba por de algum modo, salvar o livro mas, não totalmente. O problema com a escrita da autora é que não deu espaço para que o romance se desenvolvesse em A Herdeira e portanto, a escolha de Eadlyn e a compreensão das suas emoções e dos seus desejos acabam por parecer forçados e apressados. A autora não apostou no desenvolvimento da relação amorosa como fez com America e Maxon ao longo de três livros para provocar a surpresa nos leitores e isso teve as suas consequências: provocou uma quebra de ligação no ritmo da leitura. A Coroa foi uma conclusão mediana e demasiado reminescente. Houve demasiadas retrospectivas a um passado não tão longínquo como forma de provocar no autor um sentimento de saudade e nostalgia que devia ser formado através de ações e gestos e não de memórias. Mas, um dos maiores pontos positivos é, sem dúvida, o crescimento/desenvolvimento de Eadlyn Schreave enquanto protagonista. A sua personalidade egocêntrica evoluiu e somos apresentados uma personagem com coragem e um sentido de moralidade e de sacrifício enorme. 

E vocês? Quem é que já leu? Acharam o mesmo? Digam nos comentários em baixo!

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