| Review | Sete Minutos Depois da Meia-Noite de Patrick Ness

sábado, 21 de janeiro de 2017


Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu. Mas não era exactamente o monstro de que Conor estava à espera, o monstro do pesadelo que ele tem tido quase todas as noites desde que a mãe iniciou os tratamentos. Este é antigo, selvagem e muito mais perigoso, e aparece sempre que o enorme teixo do cemitério das traseiras da casa de Conor ganha vida e vem bater com os ramos na janela do seu quarto, desafiando-o a contar toda a verdade

De uma maneira distorcida, poucas páginas após o começo de Sete Minutos Depois da Meia-Noite é difícil gostar de Conor pelas suas palavras e pelas suas acções mas, com o passar das páginas, senti uma empatia cada vez maior, consequência da verdade que é revelada pouco a pouco. O monstro que surge, quase como uma metáfora à dor do protagonista, um pedido inconsciente de uma mente sofrida, é o meu favorito e, os momentos em que são uno, deixaram-me o coração a arder. Os diálogos são belos e profundos, e as histórias do monstro, apesar de inicialmente confusas, fazem sentido com o passar do tempo.
There is not always a good guy. Nor is there always a bad one. Most people are somewhere in between.
A verdade permanece um mistério até às últimas páginas, no entanto, somos capazes de imagina-la. O monstro escuro que parece consumi-lo durante as noites. A sensação de impotência e de desespero que o atravessa. A imaginação tem dessas coisas. Através dela conseguimos com facilidade colocar-nos na posição de um personagem/de uma outra pessoa. Nunca chegamos realmente a saber qual é a doença que quer roubar a vida à mãe de Conor mas, mais uma vez, podemos imagina-la, podemos adivinhar.
Stories are wild creatures, the monster said. When you let them loose, who knows what havoc they might wreak?
Em Sete Minutos Depois da Meia-Noite nunca me senti aborrecida e a jornada de Conor até ao inevitável é emocionalmente desgastante e, através das páginas, mais ou menos coloridas, das ilustrações mais ou menos disformes, conseguimos sentir os medos e a dor do rapaz. Estamos em completa sintonia com a escrita de Patrick Ness e posso afirmar que os momentos e os diálogos com a mãe ou com o monstro foram aqueles que despertaram uma maior emoção ou compreensão em relação à própria vivência e personalidade de Conor. As últimas páginas são, sem dúvida, as melhores, a emoção é pura e a conclusão dura. Uma história belíssima que recomendo!




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