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| Review | A Maldição do Vencedor de Marie Rutkoski

Kestrel, jovem filha do poderoso general de Valoria, tem apensa duas opções: alistar-se no exército ou casar-se. Ela tem, no entanto, outras aspirações e procura libertar-se do seu destino, rebelando-se contra o pai. Num passeio clandestino pela cidade, Kestrel vai parar a um leilão de escravos, onde se depara com um jovem, Arin, que parece querer desafiar o mundo inteiro sozinho. Num impulso, ela acaba por compra-lo - por um preço tão alto que a torna alvo de mexericos na sociedade. Arin pertence ao povo de Hernani, conquistado dez anos antes pelos Valorianos. Além de ser um ferreiro exímio, revela-se também um cantor extraordinário, despertando a curiosidade de Kestrel. Ari  contudo, tem um segredo, e Kestrel não tardará a descobrir que o preço que pagou por ele poderá custar muito mais do que aquilo que alguma vez imaginara
Há momentos na vida de cada leitor quando, durante uma leitura, somos obrigados a parar, a pousar o livro, a respirar fundo e a olhar à nossa volta com um olhar vazio e confuso. Isto aconteceu com a leitura de A Maldição do Vencedor e, dei por mim a perguntar várias vezes: como é que consegui evitar a história de Marie Rutkoski durante tanto tempo e, mais importante, porque é que adiei a sua leitura.
You don't, Kestrel, even though the god of lies loves you. 
A Maldição do Vencedor é um livro, na melhor das descrições, de fantasia política. Kestrel, filha do general Trajano, uma das protagonistas, não é uma guerreira nata, mas possui uma mente afiada, aguçada para as verdades que mais ninguém vê, perspicaz nos detalhes, ganhando mesmo as mais difíceis lutas apenas com o poder da sua mente e da sua inteligência. A sua voz é forte e gritante, mesmo através das páginas de papel. 
A Maldição do Vencedor é um livro com uma tensão e expectativa crescente que vai para além do romance entre Kestrel e Arin e, enquanto leitores, somos dotados de informação - por vezes previsível - mas, ainda podemos desfrutar da ignorância daqueles que vivem a história. A acção demora a chegar mas foi algo que não me incomodou minimamente pois o arrastar dos acontecimentos foi o que motivou grande parte da minha leitura, uma espécie de guerra fria entre os dois personagens que representam dois povos imensamente diferentes mas com um caminho em comum: o da guerra.
Marie Rutkoski é uma escritora talentosa, conseguindo condensar um mundo/ uma relação em páginas de capítulos curtos. Do mesmo modo, conseguiu captar a essência de uma pessoa e formá-la através de acções/gestos e, mesmo personagens mais secundárias como o pai de Kestrel, Jess ou Enai, ganham relevo e profundidade. Esta capacidade é - para mim, - uma maldição e um dom, pois embora possibilite um maior leque de conhecimento em relação ao mundo, às personagens e à construção da linguagem e dos dois povos, a durabilidade de alguns capítulos chaves são lidos demasiado depressa não havendo espaço para a imaginação e para uma visão completa, havendo algumas pontas soltas. 
Nothing in dreams can hurt you.
A Maldição do Vencedor é, portanto, um livro muito cru, quase demasiado domado pelas próprias palavras para se rebelar mas, cativou a minha atenção desde a primeira à última página. Fê-lo com a mente de Kestrel e com a personalidade de Arin. Marie Rutkoski brincou com as minhas emoções como a protagonista faria com um baralho de cartas.  A noção e o conhecimento de a verdadeira maldição do vencedor foi um twist que gostei bastante e adorei a forma como a autora brincou e criou uma história digna de se ler à volta do termo. A Maldição do Vencedor é uma história inteligente que para além de relatar fielmente várias estratégias de poder, fá-lo também evidenciando as várias formas de família e de amor, explorando o preconceito e a ignorância. 




E vocês? Alguém já leu? Conheciam a autora? Digam nos comentários em baixo!

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