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| Review | Hex Hall de Rachel Hawkins

Virei-me para sair, mas a porta fechou-se a poucos centímetros da minha cara. De repente, um vento pareceu soprar através da sala e as fotografias nas paredes chocalharam. Quando me virei de novo para as raparigas, estavam as três a sorrir, os cabelos a ondularem-lhes a volta dos rostos como se estivessem debaixo de água.O único candeeiro de sala tremeluziu e apagou-se. Eu apenas conseguia distinguir faixas prateadas de luz que passavam sob a pele das raparigas, como mercúrio. Até os seus olhos brilhavam.Começaram a levar, as pontas dos sapatadas regulamentares de Hecate mal tocando a carpete musgosa. Agora, já não eram rainhas do baile de finalista, nem supermodelos - eram bruxas e até pareciam perigosas.Apesar de me debater contra a vontade de cair de joelhos e colocar as mãos acima da cabeça, pensei, "Eu também seria capaz de fazer aquilo?".
Hex Hall de Rachel Hawkins foi o que eu esperava dele: um livro de uma complexidade mediana,  de leitura rápida e que entretém. A premissa inicial é bastante simples: Sophie Mercer, a protagonista e uma bruxa que adquiriu os seus poderes aos treze anos de idade, é enviada para Hex Hall, uma espécie de escola correctiva para Pródigos (diga-se de passagem, lobisomens, mutáveis, fadas, bruxas e feiticeiros) para aprender a controlar os seus poderes e não ser apanhada no mundo humano por vários grupos de fanáticos que querem qualquer criatura com poderes morta.
O livro não é eletrizante e não há uma grande sensação de diferença em relação a outros do mesmo género. Não é o meu primeiro rodeo com este tipo de livros e Rachel Hawkins neste primeiro volume não me apresentou nada de excepcionalmente diferente ou novo. Há um triângulo amoroso previsível, segredos facilmente revelados, a não aceitação por parte de terceiros, a rapariga maléfica que parece comandar a escola - todo um conjunto de clichés que, apesar de se tornarem secundários com o passar das páginas criam a sua fricção no desenvolver dos relacionamentos porque, pura e simplesmente já vimos isto antes - e, por esse motivo, Hex Hall não é um livro único ou que sobressaía na imensidão do leque YA.
You hate him for what he did, but you miss him.
A escrita é simples e divertida, porém, houve referências que achei desnecessárias, sendo uma delas a Rubeus Hagrid do universo Harry Potter. Há algumas barreiras que funcionam para mim durante a leitura e essa é uma das barreiras que não acho que faça sentido transpor: um livro sobre uma bruxa, que menciona o mundo criado por J.K.Rowling. É apenas estranho, embora comum.
Não há um desenvolvimento extremo dos personagens, pelo contrário. Há excepção de um ou de outro, eles permanecem imutáveis ao longo da história. A mesma personalidade, a mesma emoção, a mesma conclusão, a mesma forma de ver o mundo e de pensar que já vimos antes, noutros do mesmo género. 
No entanto, Hex Hall possui uma protagonista engraçada e levemente sarcástica que acaba por ser a salvação da autora, um pouco - muito pouco - à semelhança de Rosemarie Hathaway. Sophie Mercer levou-me até à última página e a sua personalidade leve e brincalhona acabou por representar grande parte do livro apesar da tentativa da autora de dar alguma negritude ao ambiente escolar. Penso que é um óptimo livro para iniciantes no mundo fantástico já que apesar de tudo, a sua narrativa não é aborrecida e por isso é fácil de acompanhar. Porém, não há surpresas e não houve um final que me deixasse surpreendida ou chocada já que era facilmente previsível. 




E vocês? Quem é que já leu o livro? Também gostaram? 
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2 comentários

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