| Review | Eu, Safiya de Safiya Hussani Tungar Tudu e Rafaelle Masto


Safiya vive numa aldeia do Norte da Nigéria, onde o Islão aplica a sua lei do modo mais cruel e arcaico. Segundo a sharia, a lei islâmica, as mulheres que têm filhos fora do casamento são condenadas à lapidação: enterradas até ao pescoço e apedrejadas até à morte. Safiya é uma delas. A sua história rapidamente se espalhou pela Internet, enchendo jornais e levando governos e organizações internacionais a pressionar a Nigéria para salvar a sua vida, mesmo no último instante. Eu, Safiya é antes de mais um relato pessoal, onde uma mulher africana conta a "sua" história, não a história de alguém que se tornou um símbolo para o mundo, mas a de uma mulher que viveu sempre numa pequena comunidade rural e pacífica. A história de Safiya é um exemplo porque é igual à de tantas outras mulheres africanas. Mulheres que vivem num continente cheio de contradições e onde a vida humana pode valer pouco mais que nada.
Eu, Safiya foi uma leitura interessante. Foi a primeira vez que li algo do género e fiquei surpreendida por ter gostado. Eu, Safiya é um livro que tenho há algum tempo e que foi lido no seguimento da Maratona de Outono e Inverno 2017 na categoria de livro de não ficção. Esta é uma comovente e extraordinária história verídica de uma mulher africana condenada à morte por apedrejamento por incríveis força externas que condenam as mulheres que tenham relações sexuais fora do casamento. A procura de Safiya pela justiça é a parte mais importante do livro, embora não seja a sua totalidade.
Em Eu, Safiya a autora dá-nos conhecimento da vida de Safiya desde criança o que permite ao leitor criar uma ligação imediata. Era aquela vida que se ia perder. A vida que nos estava a ser apresentada. Ao contrário do que acontece com os livros de ficção com Eu, Safiya tive de lembrar-me constantemente que a pessoa sobre a qual estava a ler era uma mulher de carne e osso com uma família real que a amava e que se preocupava com a sua sobrevivência.
The real crime is being a woman.
As diferenças que foram apresentadas, sobretudo na forma de vida e na forma como a mulher é apresentada à sociedade e como, essencialmente se torna propriedade de um homem que pode descartá-la a qualquer momento foi das coisas mais chocantes que já li. A forma como foi desacreditada sem qualquer hipótese de defesa foi - à falta de melhor palavra - repugnante. Por outro lado, Safiya Hussani Tungar Tudu dá-nos igualmente uma visão do que é realmente a religião islâmica - diferente daquilo que vemos no popular comum - havendo inclusive uma sensação de aprendizagem.
Esta é uma história de direitos humanos, uma história contra a opressão imposta à mulher que mostra o poder e a influência dos países ocidentais no desenvolvimento e na protecção de uma mulher que nada sabe sobre eles. A coragem, a força e a fé de Safiya, inabaláveis ao longo de toda a vida, são exemplos excepcionais. 
É um livro que recomendo àqueles que gostam de ler biografias e histórias que se baseiam em momentos verídicos da luta pelos direitos humanos e das mulheres.



E vocês? Quem é que já leu o livro? Digam nos comentários em baixo!

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