| Review | Ready Player One de Ernest Cline

quinta-feira, 29 de março de 2018


Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro. 
Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.

Não vou mentir. Ready Player One de Ernest Cline foi, para mim, um dos livros mais difíceis de ler - pelo menos este ano. Esta foi a minha segunda tentativa de leitura e fico contente por dizer que foi um sucesso, já que o objectivo foi cumprido - li o livro. Tudo isto, motivado pelo desejo de ver o filme conhecendo já de antemão todos os pormenores. 
Pela primeira vez na minha vida enquanto leitora, fiz algo que pensei que nunca faria: certas páginas foram lidas na diagonal. Ready Player One tem uma quantidade massiva de informação. As descrições foram, para mim, exageradas ao ponto de perder a noção daquilo que estava a ler. Talvez grande parte deste cansaço tivesse sido provocado pela minha ignorância da cultura da década de 80, embora seja da opinião que, mesmo que fosse um livro dedicado à década de 90 a reacção fosse a mesma: puro aborrecimento.
No one in the world gets what they want and that is beautiful.
Por outro lado, os diálogos foram bons e realistas e o único defeito que coloco foi a sua diminuta quantidade. Grande parte do livro é uma prosa extensa e os diálogos são poucos. Houve uma imensa quantidade de infodump que, mais uma vez, quase me fez desistir do livro e, posso dizer que avançar as primeiras duzentas páginas foi crucial para conseguir terminar a leitura. Talvez em formato audiobook fosse melhor ou mais fácil de avançar pela história. 
Ready Player One tem uma premissa interessante e a Caçada e o mundo virtual do OASIS foi, sem dúvida, uma da minhas partes preferidas - há excepção da quantidade explosiva de informação. Todos os personagens pareceram sinceramente reais e tudo, do início ao fim, fez sentido. Houve um arco de sentido. 
No entanto, parte da história é derivada de apenas uma única emoção: a obsessão. E, não gostei de ver essa emoção passar para a relação amorosa que mais tarde se estabelece. O conteúdo obsessivo do romance fez-me revirar os olhos inúmeras vezes, no entanto, admito que houve um melhoramento e um desenvolvimento intenso nos últimos capítulos. 
I created the OASIS because I never felt at home in the real world. I didn't know how to connect with the people there. I was afraid, for all of my life, right up until I knew it was ending. That was when I realized, as terrifying and painful as reality can be, it's also the only place where you can find true happiness. Because reality is real.
Ernest Cline proporcionou um final épico que mal posso esperar por ver no grande ecrã e, para aqueles que como eu, tiveram/têm alguma dificuldade na leitura de Ready Player One, insistam porque o final, pelo menos esse, vale a pena. A escrita, como já referi, foi intensa e exagerada nas descrições mas os diálogos compensam essa fadiga. O elemento da Caçada e de presença/personagem de James Halliday foram divertidos de ler e explorar, e também apreciei a forma como o autor tocou em pontos sensíveis da nossa sociedade ultra-dependente das tecnologias, actuando como uma chamada de alerta - pois, como diria o bom do Halliday a realidade é que é real




E vocês? Quem é que achou o mesmo? Digam nos comentários em baixo!

2 comentários

  1. Nunca li, mas também não sei se é do meu género muito menos com tanta informação...
    Beijinhos
    Joana
    https://curlyhairandlipsticks.wordpress.com/

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    Respostas
    1. Sim, não vai ser um livro para todas as pessoas! Só eu tive de fazer um esforço herculano!

      Beijinhos,

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Boas leituras!

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