| Discussão #2 | 5 "Tropes" Comuns no Género YA: Sim ou Não?

quinta-feira, 12 de abril de 2018


O termo trope é usado como uma linguagem figurativa e é mais utilizado para descrever uma expressão, uma ideia ou elementos que se têm tornado sobre-utilizados na literatura ao ponto de perderem interesse ou de extenuarem o leitor. Clichês, por outras palavras. 
Para alguém que, como eu, tem um número enorme de livros YA onde, a meu ver, estas tropes acabam por ser mais exageradas, penso que cheguei a um ponto onde sei o que funciona para mim e o que não funciona, no entanto, há que ressalvar que, uma história bem desenvolvida transforma qualquer trope numa parte fundamental e funcional da história. 

#1 Triângulo Amoroso: SIM

A ideia de um triângulo amoroso, de duas pessoas que partilham o mesmo amor, da indecisão de uma  personagem na sua posição numa determinada relação é, provavelmente, a trope mais conhecida e desenvolvida na literatura.  É uma ideia que rapidamente é capaz de se transformar no motor de um livro independentemente do mundo, já que são as personagens que fazem o leitor interessar-se e avançar na história. Mas, como referi é uma ideia bastante utilizada e reciclada ao longo dos anos, ao ponto de ter cansado - arrisco-me a dizer - a maioria dos leitores? O meu ponto de vista na trope dos triângulos amorosos é que está, sem dúvida, em demasiados livros com uma predominância para a decisão da rapariga, porém, quando bem executada é capaz de drenar as emoções do mais forte dos leitores e esta é uma das minhas sensações favoritas. 
Triângulo Amoroso Bem Executado: Princesa Mecânica de Cassandra Clare
Triângulo Amoroso Mal Executado: P.S. Ainda te Amo de Jenny Han  

#2 O/A Escolhido/a: NÃO

Esta é uma trope dúbia por um motivo muito simples. A meu ver, cada protagonista acaba, de algum modo, por ser O/A Escolhida/a, tal como "os vilões são os heróis da sua própria história". No entanto, a ideia que tento passar como sendo uma trope é a ideia do/a salvador/a onde o personagem é o único com determinados dotes que o tornam especial aos olhos do mundo e, portanto essenciais para a sobrevivência de outros. Esta é uma ideia que disseminou o género YA como a peste negra durante bastante tanto e, portanto, fomos empurrados para mundos onde esta ideia foi pobre e mal executada. Para haver uma/a escolhido/a é preciso que hajam bases fortes, resistentes e incontestáveis para que o protagonista seja visto de determinada forma e, para mim, é uma trope que já não me leva de arrastão para a história como nos bons velhos tempos. 
O/A Escolhido/a Bem Executado: Harry Potter e os Talismãs da Morte de J.K.Rowling
O/A Escolhido/a Mal Executado: Marcada de P.C.Cast e Kristen Cast  

#3 Do Ódio ao Amor: SIM

Esta é, sem dúvida, a minha trope preferida. Quando bem executada, o ódio - que nunca chega realmente a ser ódio - realça o melhor do/a protagonista. O sarcasmo, a ironia, a arrogância, características que acabam por ser consideradas nefastas na sociedade ganham uma nova cor na literatura tornando - para mim - os personagens mais sinceros e mais apetecíveis aos olhos. Esta contrabalança na relação de dois personagens torna a atração e a evolução/desenvolvimento mais credível. As tiradas, as contra-argumentações criam linhas de acção maravilhosas e diálogos fantásticos - isto, quando bem feitos e, tal como a ideia do triângulo amoroso é necessário que haja uma justificação, uma base forte para a sua existência. E, é uma trope com a qual é necessário ter um especial cuidado, visto que a ideia do ódio desmesurado pode levar a um confronto de ideias que pode facilmente dar ao leitor a sensação de abuso ou de crueldade que não é pretendida. 
Do Ódio ao Amor Bem Executado: Obsidian de Jennifer L. Armentrout 
Do Ódio ao Amor Mal Executado: After de Anna Todd

#4 Amor à Primeira Vista: NÃO

Esta é um grande não. Não gosto de qualquer tipo de história que envolva algum tipo de relação baseada num único olhar ou interação e, quando acontece ler algum livro dentro destes moldes, tenho de me refrear para não colocar o livro de parte. Não acho que seja uma manifestação de algo que acontece na vida real: atracção sim, amor, nunca e estas são duas emoções completamente diferentes e que são igualmente interpretadas de forma errada na literatura. No entanto, a ideia de um amor à primeira vista bem executado tem de possuir a própria noção de irrealidade, ou seja, tem de ser uma história muito própria e dentro de determinados moldes para que, pelo menos pareça sincero. Um amor puro criado do nada ou da mera ideia de destino já não funciona para mim.
Amor à Primeira Vista Bem Executado: O Sol Também É Uma Estrela 
Amor à Primeira Vista Mal Executado: Anjo Caído de Lauren Kate

#5 Centro da atenção: NÃO

Para esta trope, tenho de respirar fundo. Não é uma questão de não gostar, é uma questão de me irritar profundamente. Esta é a trope onde a/o protagonista (mais com protagonistas femininas) não se apercebe da sua beleza ou do seu encanto mas, ainda assim, acaba por conquistar o/a personagem mais desejada/o com a sua personalidade, conquistando pelo caminho mais uns quantos corações, desprezando qualquer outra personagem pelo caminho. É algo comum, executado pelo autor/a para criar empatia com os leitores mais introvertidos e a ideia da baixa auto-estima em personagens que são descritos pelos próprios criadores como belezas esculturais que levam à loucura meia-dúzia de personagens dos sexo oposto irrita-me e não vejo uma situação onde seja bem executado. É uma ideia muito limitada e de visão curta que molda rapidamente o protagonista dentro de limites que eram desnecessários, desvalorizando a presença de qualquer outra personagem do mesmo sexo que venha possivelmente a aparecer. 

CONCLUSÃO

Há uma enorme quantidade de tropes e não cheguei a referir nem metade, desde "os pais... que não são os pais biológicos", "pais convenientemente ausentes" à ideia de "mean girls". Cada uma delas é mais diferente do que as outras mas acabam por, em quantidades suficientes de livros de criar irritação e é normal os leitores criarem anti-corpos a tropes com as quais não se identificam. Felizmente, na maior parte do género YA que envolve séries ou trilogias, estas tropes estão mais presentes e exageradas no primeiro livro, quando somos apresentados às personagens e ao mundo e, caso continuemos com as séries ou trilogias essa ideia já foi explorada o suficiente e pudemos partir para novas aventuras. 

E vocês? Quais são as tropes que mais gostam ou que menos gostam? Partilham a mesma opinião que eu? Querem mais post's de Discussão? Digam nos comentários abaixo! 

8 comentários

  1. adorei o post!!
    beijinhos

    |último post|
    https://eyeelement.blogspot.pt/2018/04/6-habitos-que-vao-mudar-tua-vida.html

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    1. Muito Obrigada pelo comentário!

      Beijinhos enormes!

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  2. Gosto de posts de discussão :)

    Não leio muito YA por isso não tenho muito a contribuir para a lista, excepto um que acabaste por mencionar e que é dos que mais me incomoda: a falta dos pais ou simplesmente a falta de figuras familiares responsáveis por ti.

    É uma escapatória 'lazy' para o protagonista não ter de se preocupar com coisas que eventualmente teria... O Harry Potter vive com tios horríveis por isso ninguém quer saber que todos os anos ele vá meter-se numa escola cheia de perigos; e mesmo quando alguem aparece (o Sirius), despacham-no :p
    Em Divergente, a mesma coisa. Não sei se leste ou não por isso é melhor não dar spoiler, mas o assunto dos pais também é logo despachado.

    Claro que quando é bem feito não incomoda (como no Harry Potter) mas, infelizmente, não é a norma. Mas é apenas uma opinião minha :)

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    1. Concordo com tudo o que disseste!
      E sim, li o Divergente, sei precisamente do que falas :P

      Beijinhos enormes e muito obrigado pelo comentário!

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  3. Também estou muito ciente destes clichés. Aliás, hoje em dia é preciso muito trabalho de reflexão e manobra para que um autor consiga incorporá-los com naturalidade numa obra sem que isso transmita a ideia de que toda a história revolve à volta disso. Por exemplo, concordo contigo que "O Escolhido" em Harry Potter foi bem pensado. Após seis outros livros o leitor fica a conhecer as forças e fraquezas do herói que o levaram a ser "O Escolhido" e assim funciona! Mas o "Amor à Primeira Vista" para mim também é um BIG NO-NO! Seja qual for a história não me consigo identificar com esse tema porque acredito que não se deve julgar as pessoas pela aparência pelo melhor ou pelo pior :/

    Miss DeBlogger

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    1. Verdade, é preciso muito para não soar forçado!

      E o amor à primeira vista é também um BIG VERY BIG NO NO :P

      Beijinhos enormes e muito obrigado pelo comentário!

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  4. Muito boa reflexão. A ideia de "tropes" é visível não só em literatura como na televisão, cinema, etc - há um site engraçado que é o "tv tropes" em que fala dessas coisas, dos tais clichés utilizados :)

    Acho que a literatura YA em particular tem caído muito em tendências formulaicas - um livro com sucesso inclui X factores, então todos os autores tentam jogar com isso. É cansativo. Nunca fui a maior fã de YA, e evito bastante por causa disso mesmo...

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    1. É como eu digo, a maioria dos autores utiliza, mas há uns que sabem jogar muito bem com as tropes :P
      Muito Obrigada pelo comentário!

      Beijinhos enormes!

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Muito obrigado pelo comentário!
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