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| Review | O Espelho e a Bola de Cristal de A. Bourdon

Inês tinha uma vida calma e discreta enquanto vivia com o seu tio. Quando finalmente sai de casa para ir estudar para a universidade, nada a fazia pensar que tudo mudaria no instante em que conhece David, um rapaz cruelmente marginalizado pelos colegas. Apaixonada pela forma como este enfrenta a vida todos os dias, rapidamente se vê envolvida no que parece ser um mundo inacreditavelmente diferente daquele a que estava habituada. Mistérios, revelações e um fantástico universo de dons e poderes, tudo parece surpreendê-la... até ao momento em que uma tragédia a muda para sempre e abre um novo capítulo na história da sua vida, onde cada Escolha conta. 
O Espelho e a Bola de Cristal de A. Bourdon foi um livro que me foi dado para ler através de uma parceria com a Chiado Editora. Sou a primeira a admitir que não conhecia a autora ou o seu trabalho e foi com muito gosto que aceitei o desafio e, apesar de ir às escuras para a história de Inês e David fui agradavelmente surpreendida.

O Espelho e a Bola de Cristal é um livro com elementos do fantástico e, embora se desenvolva à volta da ideia de destino e da vida e da morte, possui um romance muito natural, como há muito não via na literatura portuguesa. Não há exactamente uma noção de amor à primeira vista, mas antes uma amizade que com o passar das páginas matura e transforma-se num amor contido. A dependência, no entanto, que se estabelece entre os personagens foi uma fonte de desagrado e não foi do meu gosto ver a forma como a protagonista se entregava a sentimentos menos positivos por uma mera separação.
Com o passar do tempo, aquelas figuras foram ficando cada vez mais desfocadas. Todas menos uma. 
Para mim, o desenvolvimento do aspecto fantástico do livro foi um dos maiores pontos positivos. A ideia que a autora criou à volta da morte e da vida e de tudo o que há pelo meio deixou-me intrigada o suficiente para me levar a devorar o livro em três dias. Gostei de tudo o que dizia respeito ao outro lado e à forma como a autora desenvolveu a ideia desse mundo sem cor e dos escolhidos, justificando as tragédias do dia-a-dia como missões impossíveis de não realizar. No entanto, é impossível de negar os aspectos mais previsíveis da história, desde a primeira página à medida que a linha de acção decorre. O final, por sua vez, foi terno e com uma sensação de término que não esperava.
Estava finalmente pronta para dar uma nova oportunidade à vida, e quem sabe, voltar a ser surpreendida. 
O Espelho e a Bola de Cristal é um livro que, apesar de ter personagens maiores de idade, acaba por ter um ambiente um tanto ou quanto doce e infantil e, na melhor das hipóteses, posso afirmar que tem um ambiente muito contido, não só nas palavras, como também das acções mas é, sem dúvida, um livro que, possivelmente, me arrebataria há uns anos e me deixaria de lágrimas nos olhos.
A escrita da autora é livre de imperfeições mas não apreciei a mudança constante de ponto de vista entre a primeira e a terceira pessoa. A intenção não chegou até mim e continuo sem perceber o real motivo para tal mudança. Ainda assim, O Espelho e a Bola de Cristal foi uma história interessante e que recomendo para os mais novos, principalmente para aqueles que estão a iniciar as suas aventuras no mundo da fantasia e o fantástico.



E vocês? Alguém já leu? Conheciam a autora? Digam nos comentários em baixo!

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