| Review | Cinder de Marissa Meyer

segunda-feira, 7 de maio de 2018


Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica da Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual. Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de um «caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender. Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribuiu-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações cínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar. 
A primeira coisa a ser feita após a leitura de Cinder é aplaudir a autora, Marissa Meyer por recontar as populares histórias infantis com tamanha audácia. Quem iria pensar que uma Cinderela que é cyborg poderia criar uma história tão interessante? Aliás, retiro completamente a frase anterior. Não há como uma Cinderela cyborg não ser uma história explosiva. Cinder é o - como já deu para perceber - retailing da conhecida história da Cinderela, o primeiro livro das Crónicas Lunares. Cinderela nunca foi a minha história preferida mas, a forma como a autora a tornou sua, fê-la ficar muito mais interessante e mais tolerável de ler.
Cinder é um livro muitíssimo interessante, não há outra forma de o colocar. O mundo que a autora criou para estabelecer os seus retailings é evoluído, viciante e familiar, tudo ao mesmo tempo. As ligações que se estabelecem e a importância dada a diferentes partes do mundo - e do espaço - intriga o leitor o suficiente para que ele avance nas páginas e a doença criada que afecta e ameaça o mundo terrestre foi a cereja no topo do bolo para criar uma boa história.
Vanity is a factor, but it is more a question of control. It is easier to trick others into perceiving you as beautiful if you can convince yourself you are beautiful. But mirrors have an uncanny way of telling the truth.
As personagens são curiosas, desde Adri, a madrasta, até Kai, o próximo imperador. A dualidade de pontos de vista permitiu uma melhor compreensão dos dois lados da moeda e os intervenientes secundários da história original, que nunca possuíram uma grande personalidade ou um grande passado, ganham assim um novo rosto e uma nova história.
A magia que não chega exactamente a ser magia, mas sim uma capacidade futurista de controlar a biolelectricidade foi um elemento novo que adicionou um pouco mais de açúcar à história e que a tornou completamente real aos meus olhos. As constantes explicações científicas que, noutro livro qualquer podiam tornar-se aborrecidas, ganham destaque em Cinder porque criam uma sensação de realismo que é necessário neste tipo de livros.
It looks more like a rotting pumpkin.
O único ponto negativo que se pode colocar é que, embora todo o conceito se torne entusiasmante, a história, por ser um retailing já de si muito familiar, torna-se previsível - desde o final até às novas identidades. Não há uma grande surpresa ou um choque com as novas descobertas porque elas já estão bem firmes no nosso imaginário. Mas, por outro lado, as ligações que a autora faz com a história original fizeram-me sorrir umas quantas vezes porque, algumas delas, estão bem escondidas entre as linhas.
Em geral, Cinder foi uma leitura viciante e familiar e a forma como a autora introduziu elementos da cultura oriental foi um ponto adicional à construção do mundo. Para mim, não há sombra para dúvidas de que este foi um início muito promissor para uma série que vou continuar a seguir com muito gosto.





E vocês? Alguém já leu as Crónicas Lunares? Digam nos comentários em baixo!

4 comentários

  1. Por acaso estou com muita curiosidade para ler essa série.

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    1. Eu quero imenso ler os próximos! Este primeiro foi muito bom ;)

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  2. Nunca li, mas posso dizer que fiquei muito curiosa :b

    Beijinhos,
    DEZASSETE

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