A Série Koldbrann da autora Ana Cláudia Dâmaso: Surpreende?

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Num mundo apocalíptico, a população saudável vive em cidades-bunker, chamadas de fortalezas, que os protegem dos perigos do mundo exterior, onde é melhor morrer, que deixar de ter o sangue vermelho. A limitação da liberdade alheia cria estruturas sociais muito restritas que todos são obrigados a cumprir. Esta é a história de Diana Salvatore, uma jovem que se revolta contra o destino que lhe foi imposto.
Fiquei muito surpreendida com a série Koldbrann de Ana Cláudia Dâmaso, a autora generosamente cedeu-me um livro e adquiri os outros dois. Mal me debrucei sobre a primeira página percebi que a autora tinha criado um mundo novo mas, para uma leitora experiente no mundo do YA, também familiar: uma distopia com os fundamentos de outras mas com um twist especial  e inesperado. Houve uma altura do mundo literário onde as distopias ocupavam todas as estantes e, as minhas não foram excepção pelo que voltar a uma é quase como voltar a casa de uma pessoa que gostámos muito mas que já não visitávamos há algum tempo.
O que quer que vás dizer... Não estou interessada.
O momento da apresentação dos personagens foram, sem dúvida, momentos curiosos e bem construídos e algo que se manteve durante grande parte da leitura foi a sensação de realismo que a autora transmitiu com as suas descrições mas, simultaneamente, algo que também se manteve foi o sentimento de que a acção, os grandes momentos de luta, foram descritos com demasiada simplicidade e rapidez, sendo pouco exercitados com pouca falta de pormenores, podendo ter sido mais explorados para provocar uma reacção maior no leitor.
O mundo, esse está claramente bem construído e há um desenvolvimento muito natural da história e, embora exista momentos muito bem executados e outros com alguma falta de caracterização, há um arco muito claro e os personagens, sobretudo a protagonista, evoluíram. Há uma consistência entre  as acções e a personalidade de cada elemento e, enquanto leitora, dou valor a este tipo de narrativa, pois mostra cuidado e edição.   O que não gostei foi a repetição inicial de pensamentos e diálogos e as constantes mudanças de língua (este é um aspecto pessoal pois faz claramente parte da história).
No entanto, admito que a transição entre livros não foi fácil. De todos, o segundo livro, Koldbrann - Desleais é o mais fraco e, embora possua elementos positivos, como a existência de pontos de vista diferentes que vão criar uma visão mais abrangente do mundo, é um livro muito pequeno para poder conter um princípio, um meio e um fim e, embora a autora tente dar esse conteúdo acaba por fazê-lo de forma excessivamente rápida, de tal modo que não é dado espaço ao leitor para poder sentir medo pelos personagens. A aceleração do que está a acontecer é tão grande e tão pouco explorada tanto interna como externamente que fui obrigada a reler por duas vezes o final para compreender o que aconteceu. Não por choque ou por surpresa, mas porque os acontecimentos foram tão rápidos e precipitados que não deram tempo para perceber a totalidade do que estava a ler e isso acabou por criar um certo distanciamento. Mas, algo que tenho vindo a reparar à medida que avanço na história é a forma como cada livro, acaba por ganhar a sua própria individualidade, o que é um ponto positivo. Todos eles, sem excepção, dentro do mundo de Diana, acabam por conter uma história muito diferente da anterior e isso agrada-me.
That the sun rises and we keep our blood red
Kolbrann - Imprudentes devolve ao mundo de Diana a sensação de realismo e a rapidez que existiu no antecessor desapareceu. Há um crescimento notório na escrita e na própria evolução da protagonista e das justificações e descobertas. O ritmo a que elas foram sendo desvendadas foram dadas num equilíbrio perfeito. O que mudava neste último volume e que é algo puramente preferencial, é o destaque dado à reabilitação, pois o meu desejo era o de ler uma história totalmente direcionada para os seus elementos mais fantasiosos.
Mas, mais uma vez, é algo puramente preferencial, pois entendo que esta era a história visualizada pela autora e que é necessário para o evoluir da protagonista e consequentemente do enredo e talvez desenvolvimento do último volume. O diálogo interno ainda que por vezes ligeiramente confuso, voltou a ganhar o poder do primeiro volume o que me agradou. Em resumo, as histórias criadas por Ana Cláudia Dâmaso acabam por ser umas boas leituras e o meu gosto apenas não foi maior pela questão da direcção tomada pela história, mas sem dúvida que vou ler o próximo assim que ele seja publicado. Quero conhecer a conclusão do mundo de Diana.




E vocês? Quem é que já leu os três livros? Já conheciam a autora? Digam nos comentários em baixo!

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2 comentários

  1. :) obrigada pela tua opinião! É sempre bom, não só ver o lado positivo, como o negativo para que eu possa crescer como autora, não só dentro do mundo da Diana mas em obras vindouras ;)

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    1. Muito obrigada eu pela oportunidade :)
      Muitos beijinhos,

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