| Review | Cidade Sem Alma de Ransom Riggs

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Jacob Portman chegou ao Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares em busca de respostas para a misteriosa morte do seu avô - mas encontrou ainda mais mistérios…
Depois de viajar no tempo até 1940, Jacob conhece as crianças peculiares - rapazes e raparigas com poderes sobrenaturais -, e a senhora Peregrine, que toma conta delas e as protege das perigosas criaturas que parecem determinadas a exterminá-las. Quando o lar é destruído e a senhora Peregrine fica em perigo, Jacob, com os seus recém-descobertos poderes, junta-se aos seus novos amigos para tentarem salvá-la. Contudo, as ruas de Londres durante a Segunda Guerra Mundial não são nada seguras para um grupo de crianças sozinhas…
Depois de O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, Cidade Sem Alma de Ransom Riggs continua a fantástica aventura do jovem Jacob Portman no País de Gales de 1940. Este segundo volume começa imediatamente onde o primeiro acaba e seguimos as crianças peculiares na sua jornada para recuperar a Ymbryne, Alma Peregrine. Infelizmente, o segundo perde o que o primeiro tinha de tão espectacular: a sensação de descoberta. 
Cidade Sem Alma acabou por ser maioritariamente um trabalho repetitivo. As fugas constantes e as reviravoltas acabaram por retirar algum do encanto do livro, nomeadamente algum do realismo que é necessário neste tipo de leitura. Ele evaporou-se na forma como o autor resolveu desenvolver cada uma das fugas e cada uma das crianças. A forma como a acção evoluía com a descoberta de uma nova história peculiar também pareceu excessivamente forçada.
Just because they knew it was lost didn’t mean they knew how to let it go.
Este esforço continuo por parte do autor baseou-se apenas na necessidade de contar a história das crianças peculiares usando as fotografias encontradas e que constam no livro. Esta necessidade tornou o livro mais infantil e mais irrealista a cada página, pois no primeiro livro as fotografias encerravam um contexto para a história e em Cidade Sem Alma aconteceu o contrário. As fotografias controlaram o desenrolar da acção e a qualidade do material, o que fez com que a leitura não fosse tão dinâmica ou tão desejável como O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares. Por outro lado, o arco do protagonista foi interessante e o seu desenvolvimento tornou a leitura mais agradável. O diálogo interno está extremamente bem construído e as dúvidas e os medos passam com muita facilidade para o leitor. No entanto, ao elevar o protagonista, o autor peca em dar apenas uma ou duas características às outras crianças peculiares pois, à excepção de Jacob, os restantes personagens são estáticos, havendo uma fraca profundidade ou complexidade à sua volta. 
Some truths are expressed best in the form of myth.
Do mesmo modo, as descrições dos novos intervenientes ou dos novos lugares foram perfeitos e fizeram-me sentir que estava realmente lá. Ransom Riggs é brilhante nesse aspecto, mas, a meu ver, falha ao tentar balançar uma história infantil com um mundo negro e apocalíptico, recheado de mortes macabras e de separações. 
A conclusão foi, talvez, o mais decepcionante, pois nem por um segundo, senti que houvesse perigo para qualquer um dos personagens e o diálogo infantil e pouco elaborado não ajudou ao ambiente de perigo iminente. A previsibilidade também levou a melhor e quando dei por mim o livro tinha terminado e, com ele, a esperança ou a possibilidade de haver algo melhor para concluir este segundo volume. O cliffhanger que nos deixa é muito pobre e não me levou a querer ir imediatamente para o terceiro volume.



E vocês? Quem é que já leu este segundo volume? Digam nos comentários em baixo!

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