| Review | A Rainha Vermelha de Victoria Aveyard

quinta-feira, 12 de julho de 2018


O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate - uma rebelião dos Vermelhos - mesmo que o seu coração dite um rumo diferente. A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?

Esta foi a minha segunda leitura de Rainha Vermelha. Uma leitura necessária não só para conquistar mais uns quantos desafios das maratonas literárias nas quais estou a participar mas para também poder continuar a série com os acontecimentos do primeiro livro ainda frescos na memória. Reler livros é uma coisa engraçada. Também como já tinha discutido aqui, há certos benefícios que só agora começo a sentir na pele e a forma como eles se entranham nas minhas opiniões é uma coisa fascinante. A minha primeira opinião do livro foi não má, mas também, não totalmente favorável e, embora continue com a mesma opinião em determinados aspectos, aproveitei muito mais esta segunda leitura.
Rainha Vermelha foi um livro diferente daquilo que estava à espera. É quase como uma mistura de tudo o que existe de bom na literatura YA, quase como se a autora tivesse usado todas as fórmulas das melhores distopias e fantasias YA para criar a história de Mare Barrow. Talvez na minha primeira leitura as expectativas fossem elevadas ou as parecenças com outros do mesmo género fossem demasiado óbvias para mim pois a verdade é que me diverti muito mais agora, com a expectativa de não gostar - de novo. 
The truth is what I make it. I could set this world on fire and call it rain.
Victoria Aveyard criou uma história de poder e de preconceito com uma protagonista interessante. Digo interessante porque Mare Barrow afasta-se do rótulo normalmente dado às habituais heroínas. É uma personagem defeituosa - ingénua, mentirosa e egoísta. O seu dialogo interno é igualmente intenso e apelativo. Mas, a formula que a autora usou para criar o magnetismo de Mare perde-se nas personagens mais secundárias que, durante algum tempo, têm apenas uma ou duas funções, sendo bastante rasas em termos de profundidade emocional. 
O mundo, por outro lado, é diferente e familiar, tudo ao mesmo tempo. Há conceitos novos, divisões novas e aptidões novas e, embora tudo pareça incrível e imaginativo, não é a primeira vez que vemos a mesma coisa retratada num livro YA. Os nomes continuaram a parecer-me preguiçosos e o conflito fácil de criar e de resolver. O antagonista principal, durante a maior parte do livro, era uma mistura de outros vilões e, embora assustadoramente cruel, a inocência ou a ingenuidade apresentada pela protagonista durante as tentativas de resolução tornaram o rumo da história previsível. 
The gods rule us still. They have come down from the stars. And they are no longer kind.
Rainha Vermelha é um livro de apresentações. Conhecemos as personagens, as suas motivações e o mundo mas, tudo isso é demasiado apressado e isso é uma coisa que mesmo nesta segunda volta senti de forma intensa. O enredo em si é de qualidade mas as conclusões dão-se no espaço de uma páginas e as soluções ao final de um parágrafo. Não há um grande suspense e há uma enorme quantidade de clichês e, mais uma vez, sabemos o que aí vem, pois já o lemos antes. Mas, não o nego, o final é atraente e corresponde às expectativas e Victoria Aveyard é a primeira autora a referir uma verdade incontestável: que não pode colocar a revolução em causa devido a um romance adolescente, embora seja exactamente isso que faz. 
De qualquer dos modos, esta segunda leitura foi muito mais prazenteira. A escrita é simples - embora haja um excesso do uso da palavra “logro” e respectivas formas verbais - é também por vezes poética e os diálogos internos são muito fortes e, embora a protagonista seja alguém com umas morais deficientes é fácil criar empatia com a sua pessoa.




E vocês? Quem é que já leu o livro? 
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4 comentários

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