Viver com SII - O Início

sexta-feira, 10 de agosto de 2018


Este é, sem sombra para dúvidas, o post mais pessoal que alguma vez escrevi. É a minha história. É algo sobre o qual sempre desejei poder escrever mas, na altura, nunca fez muito sentido tendo em conta o conteúdo do blog e, faço-o porque na altura em que tudo à minha volta começou a cair, a minha ignorância era total e teria dado muita coisa para conhecer a vida e os testemunhos de outras raparigas ou rapazes que, como eu, têm, ou adquiriram mais tarde, o Síndrome do Intestino Irritável, agora em diante, referido aqui como SII.  
A primeira vez que soube que tal coisa existia, andava no secundário. O tema veio à superfície porque um colega de uma turma diferente tinha um livre-trânsito para ir à casa-de-banho e os comentários começaram a aparecer. Lembro-me vagamente de pensar: coitado. Era ignorante face àquilo que me esperava dois anos mais tarde. 
O Síndrome do Intestino Irritável (SII) é vulgarmente conhecida como "colite nervosa", "colite espástica", "cólon irritável" ou "doença funcional do intestino". 
Fui uma rapariga completamente saudável durante os primeiros dezassete anos da minha vida. Fazia grande parte daquilo que me apetecia e não complicava aquilo que era fácil. Não tinha problemas em viajar para fora do país e andar de carro não era um problema. As memórias desse tempo mais fácil e simples começam a desaparecer e isso é, para mim, uma das piores partes do síndrome pois quero agarrar-me com toda à força ao tempo em que era EU sem limitações ou parêntesis. Algo que tenho perfeita noção que não é saudável. 
O SII é uma doença crônica na maioria dos casos, mas há momentos em que os sintomas manifestados são piores e momentos em que eles são melhores. 
Eu sei que tenho sorte. Tenho plena consciência de que há doenças muito mais graves, muito mais dolorosas e limitadoras do que o SII e sei, com conhecimento de causa, de que há pessoas em muito pior estado do que eu e que dariam uma perna para o SII ser o único problema com o qual são obrigadas a viver. Nos dias mais difíceis, esse foi, durante muito tempo, o meu mantra. E sou a primeira a dizer que não ajudou. Diminuir a minha dor por saber que existem outros males muito piores no mundo de nada serviu a não ser para me sentir ainda mais em baixo. Com o tempo, fui aprendendo que também eu tenho direito a expressar a minha dor como bem me apetecer, mesmo sabendo que, no grande esquema das coisas sou uma sortuda. 
A minha história com o SII remonta a Janeiro do ano 2010 e à minha vesícula, para sempre removida. É uma história com muitos exames, um número ainda maior de idas à urgência, falsos diagnósticos e pouco interesse médico que quase podia roçar a negligência. Em Outubro de 2010, após uma colestectomia, o SII apareceu em toda a sua força e esplendor e, aparentemente, veio para ficar.

E vocês? Conhecem alguém com SII? Como é que elas lidam com o assunto? Digam nos comentários abaixo!  

9 comentários

  1. Eu! E desde que descobri que tinha, fiquei a saber que bastantes pessoas à minha volta também tinham.
    É simplesmente horrível e todos os dias acordo a lembrar-me deste problema. Ainda não consegui lidar muito bem com a síndrome, mas aos poucos vou melhorando a minha relação com ela. O meu maior problema é a ansiedade, pois os sintomas da doença deixam-me nervosa e, quanto mais nervosa estou, pior fica o problema... É todo um círculo vicioso que só mesmo quem sofre é que compreende...
    As crises são péssimas e levam dias a passar... Mas felizmente não me acontecem com frequência.
    Infelizmente a SII atinge mais pessoas no mundo do que imaginamos, mas é bom ir conhecendo algumas delas e partilhando informações... e desabafos! Porque é sempre importante ter alguém que nos ouça e compreenda! :)

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    1. Ana, não estás sozinha! O meu maior problema também é sem dúvida a ansiedade e o stress e embora tenha aprendido a viver "melhor" com o síndrome continua a ser muito complicado pois como bem disseste, é um ciclo vicioso que às vezes parece que não acaba.
      E sim, realmente é muito bom conhecer novas histórias ;)
      Muito obrigado pelo comentário!
      Muitos beijinhos,

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  2. Raquel, dou-te os parabéns pela coragem de falar no Síndrome do Cólon Irritável. Eu sofro da doença também desde os 17 anos, como tu. No ano anterior a terem descoberto esta doença foi-me diagnosticada uma doença auto-imune. 11 anos depois, com tanto sofrimento envolvido e nenhum tratamento adequado, é que descobri que uma coisa está ligada a outra. Luto todos os dias contra a doença, faço exames regulares e, acima de tudo, lido com a indiferença e pouco interesse dos médicos em ajudar-me. Há 11 anos. Este ano uma médica um bocadinho mais competente que os demais, receitou-me um medicamento que me tem ajudado bastante no controlo dos espasmos do intestino e das consequências que bem conhecerás...
    Para mim, que sou e sempre fui uma pessoa extremamente introvertida, esta doença está agora a deixar de ser tabu. Não imaginas o sufoco que é cada vez que entro num novo trabalho... a ansiedade de começar algo novo, associada à ansiedade de saber que posso ter que me ausentar do meu posto por vários períodos ao dia, é muito difícil para quem sofre deste síndrome. Já para não falar da vida social que necessariamente é afectada também. Hotéis, países desconhecidos, o horror de poder não ter uma casa de banho pública perto, aviões, viagens longas de carro ou autocarro... são tudo fontes ainda maiores de stress para lidar com uma situação como esta.
    Ao início, tinha acabado de entrar para a faculdade. Tive de faltar a inúmeras aulas por não conseguir sequer chegar à faculdade e pela "vergonha" de ter que usar as casas de banho da faculdade. Para quem foi alvo de bullying toda a infância, só esperas o pior...
    Efectivamente existem doenças muitíssimo mais graves mas só quem tem este síndrome é que sabe o sofrimento que causa.
    Obrigada pela tua partilha <3

    Um beijinho,

    Joana
    panemicbooks.blogspot.pt

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    1. Joana, compreendo tudo aquilo que disseste. Por acaso sempre fui uma pessoa extrovertida mas adquirir o síndrome aos 17 anos, uma adolescente no pico, onde parece que estás a conhecer tudo pela primeira vez, é um golpe duro de levar. Hotéis, carros, aviões, sair para locais onde não sei onde é o wc é um horror. Tenho agora 26 anos acabados de fazer e apesar de lidar melhor com o assunto, há dias onde a ansiedade e o stress tomam conta do meu dia. Conhecer pessoas novas e ter de explicar o porquê das idas ao wc também não é fácil.
      Escrever este post não foi a coisa mais fácil, admito, tanto que foi o primeiro de teor pessoal que escrevi, mas sabia que podia encontrar mais pessoas como eu e por isso valeu a pena!
      Beijinhos enormes,

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    2. É preciso coragem :) Tens que partilhar as tuas dicas para lidar melhor com a doença aqui com o pessoal :)

      Beijinhos <3

      Joana
      panemicbooks.blogspot.pt

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    3. É esse o plano :D e também aprender com os outros!

      Beijinhos :D

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    4. Fico à espera para ver :D

      Beijinhos ^^

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  3. Wow nunca tinha ouvido nem lido sobre essa doença.
    Nem conheci alguém que a tenha.
    Desejo-te mesmo tudo de bom!
    Que sejas muito positiva como és! <3
    Grande beijo!
    http://fragmentslight.blogspot.com/

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    1. muito obrigada pelo comentário!
      tento manter sempre a positvidade!
      muito beijinhos :D

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Muito obrigado pelo comentário!
Eu respondo a todas as mensagens deixadas, pelo que se queres ter a certeza de ver a resposta, não te esqueças de deixar colocada a opção de "notificações".
Boas leituras!

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