Numa Crise de SII - O Que Acontece?

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

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Se conhecerem mais do que uma pessoa com o Síndrome do Colón Irritável (SII) posso garantir-vos que cada uma delas terá uma experiência completamente diferente com a doença e, não só irá lidar de forma diferente como os próprios sintomas - apesar de semelhantes - podem ter as suas diferenças. O modo de aparecimento da doença também varia e posso falar apenas pela minha pessoa, chamando a atenção para que não sou de forma nenhuma perita no assunto, apenas falo por experiência própria.
(...) não sou de forma nenhuma perita no assunto, apenas falo por experiência própria. 
Imaginem que vão a um restaurante de fast food. Olham para o menu apetecível de hamburgueres, asas de frango frita, uma sandes recheada, o que for, e comem uma refeição com prazer.
Mas, algo cai mal no estômago e por isso passam os dois dias seguintes em dietas de bifes de frango e arroz e tentam todas as curas caseiras de chás e coca-cola sem gás para diminuir as vossas idas constantes à casa-de-banho (três, quatro vezes) onde sentem que já não têm nada no vosso interior mas, por algum motivo que escapa à vossa compreensão, continuam a ir. Isso, na maior parte dos casos é um dia para alguém com SII. 

"O sintoma dominante do colon irritável é a dor. Depois pode haver alterações do trânsito intestinal, que podem manifestar-se sob a forma de diarreia ou de obstipação."

Imaginem agora estarem no vosso local de trabalho, levam a marmita de casa, comem a vossa refeição que nem é nada de extraordinário porque talvez não cozinhem de forma tão exemplar enquanto, talvez, lêem um livro. Nem quinze minutos após a refeição, sentem uma dor, um pouco abaixo do umbigo. Parece que alguém tem uma mão a apertar-vos o intestino, a dobrar e a querer parti-lo ao meio. Ou então, uma faca e estão a esfaquear-vos de dentro para fora. Essa dor é capaz de durar até uma hora, talvez. Passa apenas quando finalmente dá aquela vontade urgente de ir à casa-de-banho esvaziar a dor e deita-la pelo cano abaixo. Isso, é o ar a passar no tecido sensível do intestino. É preciso uma força monumental para andar direita e não há nenhum comprido ou massagem que alivie. E comer, torna-se assim, uma roleta russa onde podemos ou não sentir a dita cuja. 
"Mas é claro que os fatores emocionais como o stress e a depressão também estão subjacentes ao agravar dos sintomas"
E agora pensam, mas isso que estás a descrever são situações pontuais, situações extremas. Não. As idas à casa-de-banho são uma parte da minha vida com a qual começo a saber lidar, pois sete anos depois ainda estou a aprender. Uma alimentação saudável e, mais importante, controlada, ajuda mas, nem sempre é o suficiente pois a ansiedade e o stress são motores para a desgraça do intestino e, ter uma vida ocupada, acaba por prejudicar a sua saúde aumentando consequentemente a ansiedade/stress face às situações, sendo um ciclo vicioso que parece que nunca acaba.
Mas nenhum dos pontos acima é um exagero, mas antes uma verdade realista da vida de alguém com SII. Já a dor é algo que experimento pelo menos duas vezes por semana e que, apesar de saber viver melhor com ela e não entrar em pânico com tanta facilidade como costumava acontecer, não é algo que aceite e com a qual ainda luto, pois não a quero aceitar como a minha nova realidade de forma nenhuma.
Obviamente, apesar de tudo, tenho consciência de que tenho sorte. Há pessoas que, infelizmente, estão piores do que eu, ou cujos sintomas são mais exacerbados, impedindo-os de levar uma vida totalmente normal. Há doenças piores. É verdade. Mas como já tinha referido no post anterior sobre o assunto, fui aprendendo que também tenho direito a expressar a minha dor como bem me apetecer.

E vocês? Já conheciam a realidade da SII? O que acharam do post? Digam nos comentários abaixo!  

6 comentários

  1. oww Não fazia ideia que isso existia, ou teria um nome e muito menus que fosse uma doença.
    Não consigo por desse lado e perceber o quão desconfortante pode ser em diversas situações e em alturas provavelmente inconvenientes.

    Achei o post bem interessante, que nos alerta para uma realidade que na maioria deve ser leva em consideração como "frescura" nÃO?

    Deixo o meu blog se quiseres visitar: https://carolinacarmo96.wixsite.com/podefadawedding

    bjos.

    ka

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    1. Muito obrigado pelo comentário! É realmente algo complicado mas nada que a boa disposição e boas pessoas à nossa volta não ajude! :)

      Muitos beijinhos!

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  2. Tenho uma amiga e um primo com essa doença, sei mais ou menos como é, sei que podem ter uma vida normal, mas também têm que pensar e ter cuidados extras.
    Não é fácil. És uma mulher forte. Continua assim sempre.
    Um beijinho

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    1. É verdade! Pode-se levar uma vida relativamente normal mas às vezes, pelo menos no meu caso, mesmo com todos os cuidados, às vezes lá aparece a maldita da crise :/ mas pronto é um dia de cada vez! :D
      Muito obrigado pelo comentário, significa muito!
      Muitos beijinhos!

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  3. Raquel, como é óbvio, vejo-me em cada uma das tuas palavras. Hoje foi dia de crise para mim, só porque bebi um café diferente do habitual. Hoje é o café, amanhã será o stress, no outro dia não sei... Comecei uma espécie de diário, em excel, com todas as rotinas para tentar perceber (de uma vez por todas!) o que me deixa pior ou melhor. A verdade é que em dias de muito trabalho, não tenho tempo para fazer os meus registos com tempo e já estou novamente perdida. Na maior parte dos dias faço uma alimentação extremamente saudável, como legumes, sopa e frutas todos os dias e como hidratos de manhã, quando tomo o pequeno almoço. Às vezes penso que mais saudável é impossível e, ainda assim, as crises mantêm-se constantes. Há médicos que me dizem ser preferível comer hidratos, eu sinto-me pior quando como hidratos em vez de vegetais. Uma pessoa já nem sabe em que acreditar, nem o que fazer. Em termos de medicação, o Duspatal é óptimo para diminuir os espamos do intestino mas, no meu caso, até começar a fazer efeito é um caso sério. E, se não tomar constantemente, os espasmos regressam. Como dizes, é um dia de cada vez :)
    Obrigada por dares a conhecer esta doença tabu ao mundo :)

    Um beijinho.

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    1. Joana, muito obrigado pelo comentário! Para mim é muito importante conhecer novos casos e saber que não estou nisto sozinha :D essa tabela excell é uma excelente ideia que vou tentar adaptar à minha vida! Eu fico pior com o stress (naturalmente --'), se passar muitas horas sem comer e as massas em particular são coisas que me tiram do normal mas claro que há outros factores que ainda não descobri quais são :( , normalmente as minhas crises são SEMPRE no período antes ou pós almoço.
      Por acaso nunca ouvi falar do Duspatal, é uma situação a ver com o médico :D
      Mais uma vez obrigada por partilhares a tua história!

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Muito obrigado pelo comentário!
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Boas leituras!

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