Tecnologia do Blogger.

| Review | A Era do Caos, A Submissão dos Inocentes de Ângelo R. T. Magalhães | Blogmas #12

Numa América apocalíptica, desolada pela Terceira Grande Guerra, o governo caiu, deixando o país à sua própria sorte. As grandes metrópoles tornaram-se locais hostis, devido à elevada radiação provocada pelos ataques nucleares que fustigaram o país durante a guerra. Os poucos sobreviventes que ainda restam, refugiam-se agora em colónias, vilas e pequenas cidades e vivem sob o medo de serem mortos pelos Stalkers e Brawlers, seres selvagens que apareceram misteriosamente após a guerra. Estes seres são descritos como inumanos e estão por toda a parte, usando a brutalidade para saciarem a sua sede por violência e canibalismo. No meio deste caos, um adolescente, de seu nome Ryan Snyder, com apenas dezassete anos, parte da sua terra natal, Dallas, no Texas, em direção à Capital, a antiga Washington DC, em busca do seu progenitor que fora misteriosamente raptado. Completamente sozinho, o destemido rapaz viajará por cenários desoladores e submeter-se-á a situações de extremo perigo, ao mesmo tempo que combaterá uma dura batalha contra os seus medos e sentimentos. Entretanto, um mal enigmático ergue-se na Capital, sob as ordens de um quimérico inimigo, que deseja a aniquilação dos inocentes.
A Era do Caos, A Submissão dos Inocentes, escrito por Ângelo R. T. Magalhães reavive as distopias que nos dias de hoje estão um pouco escondidas no meio de tantos universos fantásticos. Uma parceria em conjunto com o autor deu-me a conhecer a história de Ryan Snyder e de outros tantos num mundo destruído pela violência e pela loucura. O autor com A Era do Caos criou um mundo distópico, algo familiar. A ideia de possíveis futuras guerras que contaminam o mundo e destroem as maiores civilizações não é nova, no entanto, há sempre várias formas de a concretizar e, embora tenha uma base semelhante à história da autora Ana Cláudia Dâmaso, o autor dá-nos uma lição de sobrevivência ao longo das páginas.
(...)deu-me a conhecer a história de Ryan Snyder e de outros tantos num mundo destruído pela violência e pela loucura
A Era do Caos, A Submissão dos Inocentes é um livro descritivo que torna a leitura algo pesada e com um ritmo muito lento, o que foi provavelmente o maior entrave à minha leitura e ao avanço das páginas pois os capítulos eram igualmente grandes e com poucos diálogos. Esta descrição em excesso é algo que alguns leitores apreciam mas, infelizmente, não me encontro entre eles, pois senti que muitas partes foram repetitivas ou não tinham um verdadeiro propósito para existirem pois não permitiam um avanço ou alguma descoberta na história, antes eram um retrato de uma história de sobrevivência num ambiente hostil mas, embora em excesso, consegui, ainda assim, apreciar o nível de pesquisa do autor na travessia do país e o nível de atenção ao detalhe.
Por outro lado, senti que se fosse narrado na primeira pessoa teria sido mais interessante pois houve um distanciamento muito grande em relação ao protagonista. Alguns personagens possuíam uma profundidade já natural dos elementos principais do livro mas outros, também relevantes para a história, roçaram apenas a superfície da emoção e algumas perguntas e algumas motivações foram deixadas em aberto, o que espero, para o próximo volume. Este afastamento em conjunto com o excesso de repetições, levou-me a afastar um pouco da história e senti que não havia uma razão sólida para o protagonista ser quase retratado como "o escolhido" ou "aquele por quem outros esperavam". Do mesmo modo, houve momentos em que os saltos de espaço e de tempo não foram totalmente bem conseguidos pois num momento de luta e do aparecimento de uma personagem, o salto para outro local e outros personagens deixou-nos no escuro em relação ao que realmente aconteceu.
Há, no entanto, um desenvolvimento muito natural da história que progride de forma muito orgânica para aquilo que é o final do livro. E, embora com relações e acontecimentos previsíveis, no fundo, o arco geral da história foi bem realizado e, embora tenha tido dificuldades em conectar-me com os personagens e em sentir a própria ligação entre eles, consegui apreciar a história de sobrevivência. O desenvolvimento do protagonista também é notório pois não é o mesmo que conhecemos nos primeiros capítulos, embora a sua evolução seja mostrada e evidenciada de forma muito superficial.
(...) senti que se fosse narrado na primeira pessoa teria sido mais interessante pois houve um distanciamento muito grande em relação ao protagonista
Não gosto do excesso de justificações, algo que existiu um pouco neste volume. Por vezes um gesto ou uma frase é suficiente para mostrar uma determinada emoção ou sentimento, não é necessário estar a explicar ao leitor aquilo que é suposto parecer natural. Demorei-me um pouco a habituar a este estilo de escrita e, vou levar A Era do Caos, A Submissão dos Inocentes como - repetindo - uma história de sobrevivência e não um livro de ficção científica pois os próprios elementos mais fantasiosos do livro não foram explorados ao seu expoente máximo e, enquanto "luta-para-ver-o-dia-de-amanhã" está bem construído e consegui realmente apreciar a história nesse sentido e, admito que gostei mais da primeira metade do livro, pois havia mais história e mais conteúdo do que na outra metade.



E vocês? Quem é que já conhecia o livro? 
Digam nos comentários em baixo!

2 comentários

  1. Não li o livro. Só o conhecia pela divulgação feita. Também não sou apreciadora de histórias muito descritivas e capítulos muito longos.

    ResponderExcluir

Muito obrigado pelo comentário!
Eu respondo a todas as mensagens deixadas, pelo que se queres ter a certeza de ver a resposta, não te esqueças de deixar colocada a opção de "notificações".
Boas leituras!