| Review | Anjo Mecânico de Cassandra Clare

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Foto com Parceria da Joana Nunes da Panemic Books
Quando Tessa Gray, uma jovem de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizantes aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos. Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si. Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que lhe juram encontrar o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente à distância... ou seja, todos menos Tessa. Enquanto a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo... e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.
O Anjo Mecânico de Cassandra Clare é o primeiro volume da segunda série da autora, As Origens, ou The Infernal Devices, na versão original, ainda dentro do universo dos Caçadores de Sombras. Em o Anjo Mecânico somos arrastados para um mundo que já nos é familiar pela leitura de Os Instrumentos Mortais mas que é simultaneamente novo, pois decorre numa época passada, na Era Vitoriana e, num local diferente, a um oceano de distância. Nesta Londres diferente, acompanhamos as aventuras e descobertas da protagonista Theresa "Tessa" Gray que, à semelhança de Clary Fray, nada sabe sobre o mundo das sombras. Mas, ao contrário da mesma, o seu envolvimento com os Caçadores de Sombras, é bastante peculiar e diferente da primeira protagonista à qual fomos apresentados. Esta variedade de personagens e de envolvimento que a autora tem mostrado ao longo das várias trilogias é o que permite a renovação de um universo que já é familiar e que permite evitar  o aborrecimento e, consequentemente a repetição.
Only the very weak-minded refuse to be influenced by literature and poetry.
Para mim, As Origens, é o melhor trabalho da autora. Não o digo pela linha de acção que acaba por ser relativamente simples - e cujo antagonista em nada se compara a Valentine Morgenstern, sobretudo ao nível de profundidade e de motivos - mas pelos personagens e pelas ligações que se estabelecem entre os mesmos, tão intrincados e tão relevantes para a história que a leitura torna-se quase um vício. A evolução e maturação da escrita da autora é visível. É um desenvolvimento quase astronómico, sobretudo quando comparamos o primeiro volume de ambas as séries. As Origens, na minha opinião, conquista e atinge tudo o que Os Instrumentos Mortais não conseguiu fazer. 
É-me - sinceramente - impossível não elevar as personagens que são, sem dúvida, o Santo Graal deste livro. São personagens mais maduras, mais fáceis de gostar e de apreciar e com emoções e destinos muito mais complexos. Will Herondale. Jem Cairstairs. Tessa Gray. A profundidade e o nível de desenvolvimento não se compara a nada que a autora tenha escrito - na minha opinião - até ao momento. O triângulo amoroso que surge é necessário, as relações que são desenvolvidas, apesar de terem o seu grau de previsibilidade, são emotivas e são exploradas de forma crua e o leitor é obrigado a sentir as emoções nos diferentes pontos de vista que são apresentados.
There's plenty of sense in nonsense sometimes, if you wish to look for it.
O Anjo Mecânico releva, ainda assim, um lado diferente do mundo dos Caçadores de Sombras. É um mundo mais cheio de preconceitos e de machismo e os nomes familiares que surgem são uma das minhas coisas preferidas. As pequenas nuances e ligações feitas com outros livros criam uma sensação de nostalgia muito grande que faz com que os livros se tornem coisas vivas. Há mais mistério a envolver o passado e o próprio futuro das personagens já que há muitas questões que ainda ficam por responder mas é, sem dúvida, uma da minhas introduções preferidas que recomendo a cada uma das pessoas que desistiu por algum motivo da escrita e dos livros da autora.



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