A Minha Opinião da Trilogia Artifícios Negros de Cassandra Clare

quarta-feira, 31 de julho de 2019



Para aqueles que não sabem, a autora Cassandra Clare é uma das minhas preferidas e o mundo que ela criou para os Caçadores de Sombras é um dos meus favoritos. As personagens são me queridas e as histórias são - dentro do seu relmo de fantasia - profundas e tocantes quando lhes é prestada a devida atenção. São histórias para os adeptos de fantasia urbana e talvez, um pouco para os adeptos de fantasia distópica. Desde a publicação do seu primeiro livro, há mais de 10 anos, A Cidade dos Ossos, que a autora maturou a olhos vistos a qualidade da sua escrita e a profundidade do enredo das suas histórias e as relações estabelecidas entre os seus personagens passaram para um nível diferente.
Na trilogia dos Artifícios Negros, pela primeira vez, não somos apresentados ao Mundo das Sombras através dos olhos de alguém que não o conhece e, também pela primeira vez, a história tem protagonistas que já nos são familiares e sobre os quais já lemos e conhecemos e cujas relações e desenvolvimentos não são a mais de um século de distância. Esta conexão com as histórias passadas, as linhagens familiares sempre captaram a minha atenção e foram sempre um dos meus elementos favoritos pelo que, ao ler principalmente Lady Midnight e o Senhor das Sombras, senti que fiquei imediatamente emocionalmente investida na história - a falta de menção à Rainha do Ar e das Trevas é propositado. Mas, apesar da familiaridade, a autora dá-nos coisas novas, tais como Faerie, Scholomance, a Coorte que, de algum modo, apimentam o nosso conhecimento e dão outra cor à história. Faz com que a sua existência faça sentido.
As we all have an infinite capacity to make mistakes, we all have an infinite capacity for forgiveness.
As personagens são simultaneamente familiares e desconhecidas. Penso que a autora começa a deslizar ligeiramente para um padrão típico de protagonista central. Emma e Julian, acabam por herdar muito daquilo que foram os protagonistas do passado, nomeadamente nos seus traços principais e, embora Julian possua uma veia dramática e algo dissimulada, também o Will o foi. Penso que é a dinâmica da família Blackthorn que acaba por salvar os protagonistas das comparações pois é-lhes dado propósitos diferentes. 
Como afirmei no inicio senti-me emocionalmente investida na história. As constantes mudanças de pontos de vista, a possibilidade de ver através dos olhos de outros personagens permitiu criar uma evolução da leitura que pareceu muito natural e dinâmica permitindo assistir ao crescimento e desenvolvimento de relações que de outro modo poderiam ficar somente bidimensionais. O próprio setting, quase que actua como uma personagem levando-nos desde a costa de Los Angeles com as suas praias e desertos para os mantos verdes e confusos de Faerie ou para a chuva e nevoeiro de Londres. A conexão emocional atingiu o seu pico com o fim da leitura de O Senhor das Sombras, para mim, o melhor dos três livros e, desde o termino da sua leitura que o investimento e a preocupação foram diminuindo, sobretudo quando cheguei a meio ponto de A Rainha do Ar e das Trevas. No entanto, aplaudo a autora pela diversidade e pela escolha de algumas relações que não são tão expostas a público e pela representação de uma comunidade minoritária. Não pertenço a nenhuma mas a meu ver, houve uma representação justa e até mesmo educativa, o que é raro em histórias de fantasia.
I am saying the choices we make in captivity are not always the choices we make in freedom.
Mas não é um spoiler para ninguém que já tenha mergulhado minimamente no mundo dos Caçadores de Sombras que a relação amorosa estabelecida na nova trilogia é proibida e, pensei, por um longo momento, que iria ver a autora a arriscar, um pouco à semelhança de Veronica Roth. Mas, como as minhas expectativas estavam para lá da estratosfera, acabei por sair, pela primeira vez no que toca a autora Cassandra Clare, desiludida. E, ao invés de ver a autora a arriscar, vi um regresso ao passado, a situações que já foram repetidas e concluídas e capítulos que já foram fechados voltam a fazer parte deste presente de uma maneira que a meu ver é repetitiva e que me levou a levar as mãos à cabeça e a pensar: já passamos por isto, então porquê? O multiverso nunca fez parte das histórias dos nossos personagens e tudo à sua volta me pareceu preguiçoso, quase como se não houvesse mais ideias e por isso tivemos de voltar atrás. Thule foi um momento interessante mas que se arrastou por muito tempo. O desfasamento temporal, que podia ter sido um interessante, afectou uns em anos - que não interessavam - e os protagonistas em dias ou horas. Não há regras e a sua não existência cria uma escrita preguiçosa, pois vamos pelo que é mais fácil.
That is love, son of thorns. We welcome its cruelest blows and when we bleed from them, we whisper our thanks.
A resolução da trilogia deixou-me sinceramente desiludida. A resolução da maldição parabatai que era o que eu mais esperava, foi muito pobre. Houve um ponto na leitura que me apercebi de que a autora não nos iria dar um final digno de nota. A guerra que existiu não me provocou calafrios, não me fez temer pelos personagens e tinha razão. Não é realista pensar que numa batalha, todos e refiro-me a exactamente a todos os personagens queridos dos leitores, de todas as séries, sobrevivam e isto aconteceu porque os antagonistas não eram mais do que uma versão muito pobre e reciclada dos dois antagonistas anteriores. Annabel Blackthorn que tinha de tudo para se tornar uma antagonista assustadora não passou de uma anedota e não entendo o porquê de se encontrar na capa da Rainha do Ar e das Trevas. O mundo dos Caçadores de Sombras continua a ser um dos meus favoritos e, pela primeira vez, experimentei um livro da autora do qual não fui a maior adepta mas, enquanto revirei os meus olhos ao Felizes Para Sempre da autora tenho esperança - bastante - que esta onda de salvação dos personagens seja apenas um ponto para chegarmos à conclusão do mundo das sombras com a última trilogia no qual ninguém estará a salvo e no qual o meu coração ficará irremediavelmente partido.

E vocês? Já leram a trilogia? O que acharam? Digam nos comentários em baixo!

4 comentários

  1. Nossa, eu também não gostei muito do último livro, de longe o pior que a Cassandra já escreveu.

    Abs, Mey

    http://agoraqueeusoucritica.blogspot.com/

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    1. Sem dúvida que podia ser melhor!
      Muito obrigado pelo comentário!
      Beijinhos,

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  2. Não conhecia a autora nem esta trilogia, mas já está na minha lista de próximas leituras!

    Um grande beijinho,
    https://whaaatifni.blogspot.com/

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    1. É uma série muito boa e cujo conteúdo melhora à medida que a autora também evolui :) recomendo sempre a todos os que gostam de fantasia, ou fantasia urbana!
      Muitos beijinhos!

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Muito obrigado pelo comentário!
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