Isla de las Mujeres Tudo o Que Correu Mal

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ilha das Mulheres é o nome de uma pequena ilha, bem como de uma cidade nessa ilha, a curta distância da costa nordeste da Península de Yucatan no Mar das Caraíbas. 
Pela minha expressão na fotografia acima, é possível que achem que a minha experiência na Ilha das Mulheres foi algo de fenomenal e de transcendente para uma rapariga da cidade. Pois bem, não foi. A minha cara é aquela de quem está a fazer um esforço enorme para encontrar o melhor de uma situação completamente péssima. É a cara de quem está a ver o seu bom dinheiro a afundar-se numa experiência que nada tem de belo, divertido ou paradisíaco. 
Algo que aprendi com toda esta viagem e com as duas excursões que fiz para fora do hotel é a de que é preciso ter MUITO cuidado com as companhias através das quais compram as excursões. No meu caso, a minha opção era pouca, mas a confiança era muita, uma vez que se tratava da mesma companhia do meu seguro de viagem e, portanto, a única que conhecia e que era familiar. 

O que nos foi apresentado?

No primeiro dia na Riviera Maya, como é normal, fomos a uma apresentação das diferentes excursões que existem. Apresentaram-nos excursões mais culturais, ou pacotes que incluíam mais do que um e a escolha era tanta que era fácil uma pessoa sentir-se assoberbada. A clássica visita ao Chichen Itza, Coba Tulum, a passar pelos parques Xel-Há ou Xcaret. Os belíssimos cenotes e as actividades náuticas com tartarugas ou tubarões baleia. Tudo era apelativo, queríamos experimentar de tudo. Até que, por fim, nos falaram da visita à Ilha das Mulheres que iria ocupar o dia todo e, posso dizer que a apresentação que foi feita foi fenomenal. As fotografias que nos mostraram eram belíssimas, dignas de um fundo de wallpaper para o computador e o plano do dia era absolutamente fantástico: 

  • viagem de catamarã até dois locais distintos onde iríamos realizar a actividade de snorkling: iríamos ver recifes naturais e partes do famoso museu subaquático e um navio naufragado. 
  • viagem de catamarã até uma daquelas que é considerada uma das melhores e mais bonitas praias do mundo; 
  • viagem de catamarã até uma zona turística da Ilha das Mulheres onde ficaríamos por uma hora para visitar e comprar lembranças. 
  • viagem de catamarã até uma zona remota e paradisíaca da Ilha das Mulheres onde ficaríamos por três horas com direito a almoço estilo buffet na praia. 
  • viagem de regresso a Cancun, onde iríamos realizar a actividade de parasailing. 

#2 A actividade do snorkling 

Tens o instinto de que algo não vai correr bem quando ainda no catamarã te informam para ires buscar o equipamento de snorkling e não o deixares para último porque não vai haver para todas as pessoas. O meu choque foi grande pois assumia que todas as pessoas que ali se encontravam tinham pago o bastante para estarem ali e terem direito a cada uma das actividades. 
A primeira paragem de snorkling na qual se encontravam os recifes e parte do museu subaquático estava lotada de barcos e de outras excursões, não tendo sido um grande problema. A confusão gerou-se quando os guias ordenaram às pessoas que iam fazer snorkling, algumas das quais mal sabiam nadar (embora tivesse coletes salva-vidas, não tinham destreza nenhuma), para saltarem à água. Fui nadadora durante anos e quando fi-lo e percebi imediatamente que não ia gostar, embora snorkling sempre tivesse sido algo que desejasse fazer do fundo do meu coração. A corrente era muita e, visto que a maior parte das pessoas não parecia ter qualquer tipo de experiência no alto mar, ninguém usava as barbatanas para se impulsionar, o que resultou num aglomerado de pessoas que batiam uma nas outras para conseguirem nadar usando apenas a parte de cima do tronco. Admito que ainda consegui ver alguns dos recifes - eram belíssimos - e uma das estátuas subaquáticas quando não estava preocupada com ele por se encontrar no meio da confusão de pessoas. 
A segunda paragem de snorkling, felizmente não teve a mesma adesão, pois as pessoas - a maioria portugueses - não quiseram voltar a entrar na água por sentirem que a corrente era demasiado forte e os guias eram incapazes de manter o controlo ou até mesmo ajudarem dentro de água. Não houve qualquer tipo de explicação para o uso do material. Vi o barco naufragado e os peixes que nele habitam, mas também vi o S. a ser novamente arrastado pela corrente, o que não teria feito qualquer mal, se não houvesse um barco ao qual ele poderia bater. O que aconteceu com uma portuguesa que, ao ir de encontro ao barco, foi picada por um ouriço e as dores dela não impressionaram os guias que, mais uma vez, nada fizeram.

#3 A visita a uma das melhores e mais bonitas praias do mundo

Quando chegámos a este ponto da excursão o guia informou-nos de que tínhamos sorte pois as pessoas que se encontravam na praia (à qual não pudemos meter os pés, ficando apenas em mar alto a alguns metros da costa) tinham pago dezenas de milhares de dólares pela sua estadia e pela presença na praia. Não me senti com sorte e, esta é a minha opinião sincera, não achei que fosse uma praia extraordinária. A industrialização destruiu qualquer beleza natural que pudesse existir.

#4 Paragem numa zona turística durante 1h

Não tínhamos autorização para ficar no catamarã ou regressar a ele quando quiséssemos. Éramos obrigados a ir "passear" e aproveitar a cultura. Ele aproveitou a praia - completamente lotada, ao estilo da nossa querida praia de Carcavelos - e comprámos 2 ímans relativos a Cancun e à Ilha das Mulheres que ainda não tínhamos encontrado. As pessoas não pareciam felizes à espera, a esturricar ao sol. Eu, certamente, não estava. 

#5 Paragem numa praia paradisíaca por 3h com almoço estilo buffet

Ao chegarmos à nossa praia paradisíaca o meu queixo caiu ao chão. A nossa praia paradisíaca, não era remotamente parecida à que nos tinham mostrado na apresentação e, na minha opinião, aquilo não era uma praia, antes um porto, uma espécie de doca. O mar era um pequeno lago, o horizonte era recheado de prédios, pois podíamos ver a cidade de Cancún e não havia absolutamente nada de paradisíaco há minha volta. 
Também foi nesta paragem que a raiva e a frustração tomaram conta do meu corpo e fui obrigada a levantar a voz a um colaborador. Pois ao pedir uma Pespsi, a criatura, limitou-se a despejar à minha frente, um copo de cerveja e a enche-lo imediatamente com a Pepsi. Fiz-lhe entender, à boa moda portuguesa, a fazer uso do meu sangue do norte, que ninguém brincava com a minha saúde e que aquilo era absolutamente nojento. Portanto, passei o resto da dita experiência a beber de um corpo de plástico que abri do seu invólucro fechado.

#6 A actividade de parasailing

Depois da estadia na praia paradisíaca da qual nada tinha de paradisíaco - sou da opinião que Portugal tem praias não tão quentes mas certamente muito mais bonitas - chegou a altura de regressar a Cancun e de realizar a última actividade: o parasailing. Para entender a estupidez de toda a experiência é preciso perceber o que é o parasailing e, se não estão familiares com o termo, é uma actividade náutica que é, basicamente um voo rebocado com um parapente na qual as pessoas estão seguramente presas a um barco e, para descolar, as pessoas estão sentadas e, quando a marcha se inicia, o parapente enche-se de ar e a pessoa é levantada. 
Portanto, sou uma grande adepta de desportos náuticos e depositei o resto da minha esperança nesta actividade. Não o devia ter feito, percebi isso mal os guias informaram que apenas as pessoas que sabiam nadar e cito: excepcionalmente bem é que podiam ir. Não haveria coletes salva-vidas e as pessoas teriam de ir para o mar, com o parapente a arrastar também na água e teriam de esperar até o vento as levantar pois o barco permanecia imóvel. Simultaneamente quando, por magia, o voo acontecesse, teriam de saltar do pequeno baloiço onde estavam para a água. A queda poderia ser entre 2 a 6 metros de altura e teriam de saltar quando os guias dissessem pois dois segundos depois poderiam cair dentro do barco. Não sou grande perita mas não me parece seguro, em primeiro lugar e, também não me parece que é assim que funciona por uma lei muito básica: a da gravidade. Como é claramente óbvio, ninguém fez a actividade de parasailing. Ninguém levantou voo. 

Não foi uma experiência memorável pelos bons motivos, como se pode ver e acredito piamente que as imagens lindíssimas da Ilha das Mulheres sejam reais. O problema nesta experiência foi a de que confiámos nas pessoas erradas, que têm acesso a uma parte muito pouco paradisíaca da ilha e que não foram verdadeiros para com os turistas. Não vou dizer que não houve pessoas que não gostaram pois estaria a mentir, sobretudo porque a maior parte das pessoas estava bêbada e, portanto, o seu julgamento era apenas de alegria e de divertimento. Mal chegámos ao hotel, apresentei uma queixa e uma reclamação contra a empresa e a pessoa que nos fez a apresentação de toda a experiência e pedi o reembolso do dinheiro. Não quer dizer que não recomende, apenas que tenham cuidado. 

E vocês? Já tiveram alguma experiência semelhante de viagens? Digam nos comentários em baixo!

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