Porque é Que Não Concordo com a Mensagem de Love Letters To The Dead de Ava Dellaira

sexta-feira, 9 de agosto de 2019


Love Letters to the Dead ou Cartas de Amor aos Mortos, publicado pela Editorial Presença, foi a minha leitura de eleição durante a minha lua-de-mel no México, daí o seu estado um pouco danificado, de ter sido atirado de cadeira em cadeira, molhado e enfiado à pressa na mala de praia. Não foi exactamente a mais romântica das escolhas, mas foi certamente a mais fácil pois toda a história é contada através do meio de cartas. Não vou mentir. No geral, na sua globalidade, não é um livro mau, pelo contrário. Possui um certo encanto, uma poesia às pessoas referenciadas que foi uma das minhas partes preferidas. Mas, pelo título da publicação podem perceber que houve coisas que pura e simplesmente não consegui ultrapassar e vou resumi-las em três pontos.

#1 Não vai para lado nenhum

Não há muitos acontecimentos e, na verdade, todo o livro é mais uma colecção de pensamentos privados e a história que existe acaba por ser muito superficial durante grande parte da narrativa. O facto de a própria protagonista estar a esconder e a camuflar a sua dor, algo que a autora fez de forma excepcional, talvez demasiado bem, acaba por criar um certo distanciamento para com os leitores - fê-lo de certeza para mim. Há um tempo demasiado longo entre o início do livro e o momento onde a história começa a criar novos contornos e a explorar a emoção crua da protagonista e este excesso de tempo levou-me a arrastar a leitura. Houve momentos em que simplesmente não consegui aguentar a voz narrativa da protagonista e fui obrigada a parar pois achava-a aborrecida.

#2 As relações 

A relação amorosa que há e que acaba por ser uma parte principal do livro, à semelhança de outros do mesmo género (infelizmente), pareceu surgir do nada. Não houve química ou qualquer tipo de conecção anterior à relação ou, o que me incomoda mais, conhecimento ou amizade. Na verdade, não houve nada. Esta ausência de emoção ou de qualquer forma de ligação básica humana, levou a que todas as relações estabelecidas durante a história soassem forçadas e com um certo nível de estranheza associada, pois não havia explicação para o à-vontade ou para a cedência à pressão por parte da protagonista para além de uma falta de força de caracter ou por uma necessidade de pertencer a algum lado. Por sua vez, a relação estabelecida com a família - em resumo, aquela que não foi criada à frente dos nossos olhos, - pareceu correcta, ou pelo menos, descrita de forma realista dadas as circunstâncias de vida da protagonista.

#3 A passividade 

Embora Laurel, tal como todos os protagonistas possua os seus momentos mais altos, grande parte da sua personalidade e das suas acções são passivas e, por esse motivo, foi muito difícil relacionar-me com ela, pois em determinados pontos da história senti que o seu interior era oco e sem muita força de vontade associada. Obviamente, a justificação para este sentimento de "falta de fogo" possa estar associado ao facto de ser um livro mais juvenil, no entanto, não é uma explicação cem por cento correcta pois citando apenas um exemplo, John Green mostrou que é possível escrever sobre adolescentes para adultos e até mesmo de forma a que eles sobressaiam como criaturas fortes e inteligentes - pois também as são. Laurel, contudo, durante a totalidade do livro, não fez mais do que ceder à pressão alheia, uma e outra vez, algo sobre o qual não gostei de ler.
Há também uma passividade na autora, uma lacuna muito grande na história pois, desde o início que percebemos que algo de muito grave sucedeu à protagonista e é-nos imediatamente dado a entender o que aconteceu. Há uma violação no livro, ou pelo menos, a recordação de uma e há o confrontamento com as emoções e a exposição da verdade do que aconteceu. No entanto, embora seja mostrado ao leitor as consequências que trouxe para a protagonista e para a sua família, a autora não mostra em momento algum que há qualquer tipo de consequência para o agressor e penso que este tipo de mensagem num livro que já foi traduzido em tantas línguas é muito perigoso e deixou-me seriamente incomodada.

Não me arrependo de ler Love Letters To The Dead, pelo contrário. Fico feliz por conhecer a sua história pois já era um livro que queria ler há algum tempo. Sou a primeira a afirmar que esperava mais e que me deixou um tanto ou quanto desiludida mas a vida é feita destas pequenas surpresas literárias.

E vocês? Já leram o livro? O que acharam? Digam nos comentários em baixo!

2 comentários

  1. Epaaaaaa.... obrigada pela tua review pois agora risquei mesmo da lista!


    Beijinhos,
    O meu reino da noite
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    1. Há coisas que realmente não gostei e que me fizeram muita confusão :/
      beijinhos,

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