Li Os Três Primeiros Livros da Série Three Dark Crowns de Kendare Blake: Porque É Que São Tão Bons?

sexta-feira, 6 de setembro de 2019


Three Dark Crowns ou Três Coroas Negras em português foi uma das apostas da Porto Editora em Setembro de 2018 - e que aposta! Kendare Blake não me era uma autora estranha, pois já tinha lido o livro Anna Dressed In Blood, uma leitura cativante e envolvente e, portanto, conhecia todo o potencial da autora. No entanto, ainda assim, Three Dark Crowns e as suas continuações, One Dark Throne e Two Dark Reigns, foram completas surpresas. Agora a aguardar pelo último livro, Five Dark Fates, posso afirmar que Kendare Blake é uma escritora maravilhosa e que possui um talento nato para o storyteller e a Porto Editora acertou em cheio com a tradução dos seus livros mas, para todos os efeitos, irei referir-me a eles em inglês, pois foi na edição que os li. 
Three dark queens
are born in a glen,
sweet little triplets
will never be friends.
Three dark sisters
all fair to be seen,
two to devour
and one to be Queen.
A sinopse é o que cativa primeiramente o leitor. Isso, e as capas, belíssimas. E, na verdade, ela é bastante simples. Em cada geração, na ilha de Fennbirn, nascem três irmãs gémeas dotadas de diferentes poderes, três herdeiras de um único trono. E, para uma delas ser coroada rainha tem obrigatoriamente de assassinar as outras duas. Mirabela, a elemental. Arsinoe, a naturalist. Katherine, a poisoner. As três numa luta de iguais para conquistar um único trono e serem as próximas na linhagem das rainhas coroadas de Fennbirn. E aqui, a sinopse em inglês está criada de forma muito inteligente, dando sinais daquilo que poderemos encontrar ao longo da história. 
Não fiquei desiludida com nenhum dos volumes. A história é contada através de pontos de vista diferentes em múltiplos locais de Fennbirn, por isso, de uma maneira, a própria ilha acaba por ser também ela uma personagem que vai ganhando importância à medida que as páginas avançam e, com elas, os livros. Não senti, em momento algum, que a autora divagasse ou que cada capitulo não fosse fundamental para a história, pelo contrário. Cada página, acontecimento ou dialogo serve um propósito, seja ele o de criar um desenvolvimento interno ou mesmo externo e, inclusivamente, dado o espaço de tempo no qual decorre a acção, a autora é inteligente ao ponto de não mostrar tudo e de deixar de fora o que não é fundamental para a luta pelo trono ou para os desenvolvimentos políticos que são mais relevantes do que o contacto físico, aumentando no leitor a expectativa até ser atingido o apogeu do livro, seja ele o primeiro, o segundo ou o terceiro. Há um esqueleto, uma estrutura que a autora a meio que segue em cada um dos livros e que faz sentido para a história, portanto a ansiedade e a vontade de conhecer eram muito grandes. 
No one really wishes to be a queen.
Para mim, algo que é importante quando se trata de um livro de fantasia ou de ficção científica, é o realismo. Ou seja, a forma como o autor tratou o mundo que resolveu criar como local para a acção e, neste caso, Kendare Blake criou com Fennbirn uma ilha imaginariamente real. Isto porque as descrições dos locais, que vão desde as cores, aos cheiros, aos materiais, mostram empenho e mostram uma necessidade de dar ao leitor mais do que factos. Há um desenvolvimento ao nível da religião, dos mitos, das guerras passadas e dos jogos políticos que aumentam a profundidade do mundo de Three Dark Crowns e a história é de tal modo movida pelos personagens que até os mais secundários possuem uma personalidade, objectivos, e um passado próprio e vincado, portanto é visível o trabalho de pesquisa ou de criação para o livro, o que é algo que me deixa sempre muito contente pois é uma das minhas partes preferidas quando me debruço sobre um livro de fantasia. 
A acção, em nenhum dos livros, é lenta. Há sempre alguma coisa a acontecer e, embora o desejo pelo confronto seja imenso, o não confronto é também ele apreciado pois mostra outro lado das personagens e permite que elas cresçam fora do molde que lhes foi imposto. No fundo, toda a serie é interessante e o seu nível de previsibilidade é baixo. Li os três livros, mais as novellas, de seguida, uma autêntica maratona, e ainda não consigo criar uma suposição para o que pode vir a acontecer no último livro. Há constantes mudanças nas relações, na ilha, na localização de algumas das personagens, nas revelações e esse passo rápido de mudança leva a uma leitura muito dinâmica e a vontade de continuar a ler e a querer conhecer é gigante. 
“Queens do not remember these things,"
"Saying so does not make it true."
"You will need it to be true, for it is too cruel otherwise, to force a Queen to kill what she loves. Her own sisters. And for her to see that which she loves come at her door like wolves, seeking her head.” 

As falhas que existem, não podem ser chamadas realmente de falhas, antes de preferências pessoais, pois a autora em Two Dark Reigns quer mostrar as outras possibilidades para lá de Fennbirn quando, na verdade, a ilha é o local mais interessante para estar e isso deixou-me frustrada pois a minha vontade era a de estar em Fennbirn mas é uma pequena dificuldade que é rapidamente ultrapassada. Acho que é uma história construída sobre bases fortes que mostra conclusões e relações realistas. As protagonistas são interessantes e não há realmente nenhuma que seja um quadro branco em relação às outras. Todas têm características diferentes e são interessantes à sua maneira. Não há uma falta de caricatura, se é que podemos dizê-lo desta forma e, se o posso dizer, a minha personagem favorita continua a ser a Katherine pois acho que, de todas, é a que possui uma história ou um arco de desenvolvimento mais interessante e mais imprevisível. 
É importante referir que a história sucede-se numa sociedade matriarca onde são as mulheres que governam e que são as figuras principais. O que é um aspecto novo e muito bem-vindo na fantasia juvenil e é interessante ver a diferença entre a vida na ilha e a vida/contos da mainland, que é, sobretudo, uma volta ao nosso próprio passado onde os homens tomavam as decisões e à mulher cabia apenas o trabalho de ter um casamento bem sucedido e de criar os filhos e tomar conta da sua casa. 
Os três livros estão cheios de voltas e reviravoltas, com lealdades e a perda das mesmas. As revelações sucedem-se a um passo galopante - mas ainda demasiado lento para o leitor mais ávido - e a parte mais fantasiosa referente à ilha ou aos poderes é um atrativo bem-vindo mas não são a parte principal da história onde o confronto de personalidades, a intriga e a mesquinhez levam a acção a seguir em frente. Penso que foi uma excelente aposta da Porto Editora e estou a adivinhar que todos os livros sejam traduzidos num futuro próximo. É uma serie que recomendo a todas as pessoas e mal posso esperar que chegue a meio de Setembro para pôr as minhas mãos no próximo e ultimo volume.

E vocês? Já leram alguns dos livros? Qual é a vossa opinião? Digam nos comentários em baixo!

2 comentários

  1. Nunca li nenhum dos livros...Não sou muito nada ao género de fantasia, sinceramente. Mas pode ser que um dia experimente :p

    https://allmybooksandmovies.blogspot.com/

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    Respostas
    1. O género de fantasia é um dos meus preferidos :D
      Estes são óptimos livros por onde começar!
      Muitos beijinhos!

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